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Suor e bem estar

8 DE MARÇO: Sobre luta, conquistas e futebol

POR Luiza Wasen

 

Em resultado do grande avanço na luta por igualdade e direitos para as mulheres, o coletivo feminino ganhou muito mais espaço em inúmeras áreas, inclusive no esporte. Um estudo realizado pela BBC Sports divulgou que, atualmente, 83% dos esportes recompensam homens e mulheres, praticantes da mesma categoria, igualitariamente. No entanto todas as conquistas feitas não exoneram a necessidade de buscar as que ainda devem ser alcançadas.

Segundo esse mesmo estudo, que contou com a resposta de 55 órgãos de comando de modalidades esportivas, 30% dos esportes ainda premiam homens com maior remuneração que as mulheres, um dos grandes motivos dessa desigualdade é a falta de patrocínio para as atletas. Por terem maior espaço na mídia, atletas masculinos atraem mais público e por consequência mais patrocinadores, o que acarreta em melhores pagamentos. E qual o motivo dessa predileção aos atletas homens?

O futebol é um dos esportes que apresenta maior disparidade na questão. Na Inglaterra não há premiação em dinheiro para a Women’s Super League, liga mais alta de futebol feminino do país, enquanto o Chelsea, um dos principais clubes ingleses, faturou 38 milhões de libras no campeonato do ano passado. Até 2016 não haviam premiações para o Brasileirão feminino, em 2017 foi anunciado um prêmio de R$ 120 mil para o campeão, enquanto a última colocação a escapar do rebaixamento, no campeonato masculino, vai para casa com R$ 700 mil, ficando o campeão com um prêmio equivalente à 141 vezes o destinado as campeãs femininas.

Por volta de 1940, no Brasil, a pratica do futebol e de outros esportes de impacto era proibida para as mulheres. Instituíram-se leis que vetavam essas práticas baseadas em falsas alegações médicas de que essas atividades físicas afetariam o “papel da mulher” de engravidar e cuidar da casa. Pode ser esse mais um dos motivos da tamanha desvalorização das mulheres nesses esportes. É ilusório discutir sobre isso como se esse preconceito não estivesse mais presente nos dias de hoje, a ideia de que mulher não pode jogar futebol é muito atrasada, mas ridiculamente atual na cabeça da sociedade como um todo.

Figuras como Charlotte Cooper, primeira mulher a ganhar um ouro olímpico, Hortência, rainha do basquete feminino e a alagoana Marta, eleita pela FIFA cinco vezes como melhor jogadora do mundo, são exemplos de mulheres responsáveis pela grande liberdade já alcançada para atletas do Brasil e de todo o mundo. As conquistas no esporte não são simplesmente uma busca por medalhas, fama ou dinheiro, elas são a reafirmação das conquistas que mulheres tem alcançado em todas as áreas. Trata-se da comprovação da plena capacidade da mulher atuar tão bem quanto os homens em quaisquer setores. Assim, não somente no dia 08 de março, mas em todos os dias, a audácia dessas mulheres deve ser aplaudida e a elas deve-se um agradecimento, por estarem mudando uma realidade a tanto tempo instituída e por inspirarem atletas que ainda virão.

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