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Suor e bem estar

BEACH TENNIS: Saúde, diversão e amizade!

Ela ainda pode ser considerada uma modalidade caçula nas praias da cidade, porém, é cada vez mais presente na orla da capital alagoana. Estamos falando do beach tennis, que chegou por aqui em 2008 e dez anos depois ganha status de febre entre os amantes de atividade física, especialmente, para os apaixonados por exercícios à beira-mar. De fácil e rápida aprendizagem, este esporte veio para ficar e Maceió tem tudo para se tornar a Ravenna nordestina, cidade italiana onde existem mais de 500 quadras de beach tennis ao longo d0e suas praias. Por aqui ainda são poucas, o que já anda causando fila de espera nas primeiras horas da manhã.

O precursor do esporte em Alagoas é o empresário Wesley Miranda. Assim, poucos devem o conhecer, entretanto, em qualquer conversa um pouquinho mais prolongada sobre beach tennis e não dará outra, o nome de Leleco, como é mais conhecido, sempre será citado. Praticante de Tênis de quadra por muitos anos, Leleco não consegue ficar longe da dupla raquete e bolinha. Foram 10 anos na federação alagoana da modalidade e, diante de uma rotina que o afastou das quadras, encontrou uma saída para por fim a este distanciamento quando conheceu o beach tennis.

Praticar esporte, na verdade, é algo onipresente na vida de Leleco, ou melhor, da família por inteiro. Ainda aos 17 anos conheceu sua esposa, Jackeline Miranda, de 16, ambos praticando vôlei no colégio, modalidade que o levou até a seleção alagoana. Também praticou karatê, chegando a faixa marrom, destinada àqueles que alcançam a constância, a disciplina, a uniformidade adquirida e a observação das regras. E Jackeline sempre foi figura presente nisso tudo, principalmente, se tratando do tênis. Jogou muito o de quadra após a primeira gravidez, queria se manter em forma e, para quem nunca jogou, saiba que uma hora com bolinhas de lado a lado queima mais calorias que correr durante o mesmo período.

E essa paixão em comum pelo tênis, somada a uma adequação de disponibilidade, os levaram à praia. No começo foi dureza, chegavam cedinho na Jatiúca e ficavam à espera de amigos para jogar. Eram 4 ou 6 pessoas, o que mudou quando passaram a convidar os amigos do tempo de quadra. Hoje, são mais de 60 pessoas no grupo, que é aberto e sempre receptivo a quem quiser experimentar um game, dar um play, como eles chamam. 

 

O negócio anda ficando sério, tanto que já realizaram duas etapas do Maceió Open de Beach Tennis, evento que simplifica de maneira amplificada tudo que uma bolinha e uma raquete podem promover: saúde, diversão e amizade. Esta é a tríade que melhor representa o conceito desse esporte, encontramos vários exemplos disso. Personagens como a portuguesa Raquel Completo, que está no Brasil há 6 anos, mora em Natal/RN, e trouxe na bagagem anos de tênis de quadra. Conheceu o beach tennis ainda por lá, embora por aqui tenha encontrado o ambiente ideal para praticar. Na Europa as estações são bem divididas e o verão se limita a 3, 4 meses no máximo, tempo em que era possível jogar.

Ao desembarcar em terras tupiniquins, a estudante de direito se deparou com outra realidade, a dos sonhos, com possibilidades de jogo de janeiro a janeiro. Ela confessa que ama o Brasil e, pela conversa, apostamos que agora tem uma quedinha em especial por Maceió. Conheceu a turma daqui numa competição em Serrambi/PE e a sintonia foi automática. Participou das duas edições do Maceió Open e enfatiza que, além do beach tennis, as pessoas também foram fundamentais para sua vinda nas duas ocasiões.

Ao lado do namorado, Bruno Medeiros, Raquel costuma não só treinar em conjunto como formar dupla em competições, quando entram em quadra como “A bela e a fera”, com camisas personalizadas nominalmente. Acompanhamos uma dessas disputas do casal no Maceió Open e o que chama atenção é a vibração a cada ponto disputado. Não tem bola perdida e, independente de acerto ou erro, sempre incentivam um ao outro com palavras de força.

E duplas é o que não falta. Por aqui, um casal que é pura simpatia merece destaque. A veterinária Luciana Zapparoli e o médico anestesiologista Flávio annicchino são daquelas pessoas que respiram atividade física. Paulistas aportados em Alagoas, não perdem uma oportunidade de suarem a camisa. Logo na chegada a Maceió, se dedicaram ao mar, ele com o surf e ela com Stand Up Paddle. Mas, assim como os exemplos de Leleco, Jack e Raquel, tinham o tênis na veia.

Numa viagem para o Rio de Janeiro, pararam na praia e observaram uma partida de beach tennis e aquilo não saiu mais da cabeça, sentiram o alto astral que a modalidade possui e queriam vivenciar aquilo de perto. Flávio já jogava frescobol na Ponta Verde e o encontro com a turma de Leleco o levou ao beach tennis, arrastando consigo a Lu, que apanhou no início, como ela mesmo nos disse “era ruim pra caramba”, algo comum a qualquer iniciante. A dica é: não se limite a vergonha, ela é apenas aquela primeira fase de qualquer jogo por qual qualquer um passa.

Agora não vivem sem jogar. No mínimo, toda terça e quinta começam o dia na quadra. E como a raquete e a bolinha cabem em qualquer lugar, para onde vão as levam. Já jogaram em São Paulo, no Guarujá/SP, em Natal/RN, no Recife/PE, Ubatuba/SP… É basicamente assim, ter uma raquete em mãos é passaporte livre em qualquer quadra que encontrar, as boas vindas e receptividade é algo presente em qualquer grupo praticante.

Nos arriscamos até a dizer que, caso você queira experimentar, nem irá precisar delas na sua estreia. Pode visitar a quadra em frente ao Mc Donalds da Jatiúca que alguém fará as honras da casa cedendo raquetes para suas primeiras tentativas. O que apostamos também é que logo depois de se acostumar, o que não demora, comprará a sua rapidinho. E nem vamos falar de regras, isso você terá que aprender na prática.

O beach, inclusive, é um ótimo remédio para melhoria de relações interpessoais e contra o estresse. Ele ensina a ter paciência, a não desistir fácil, a trabalhar em equipe, a ter controle emocional, a ser disciplinado, a ter raciocínio rápido. Isso sem falar nos benefícios para a saúde, trabalhando muito a questão motora de equilíbrio e força, além de potencializar a condição cardíaca e o emagrecimento.

E não tem sexo ou idade. Vimos pessoas nos mais variados perfis físicos. Dos 13, 14 anos, até os 60, 70 anos. Atletas de longa data a esportistas de primeira viagem. Praticantes que jogam porque gostam de praia, porque gostam de tênis, porque gostam de conversar (e fofocar, rsrs) ou porque receberam recomendação médica para praticar atividade física. A única condição obrigatória é não fazer parte do time do sedentarismo.

Esse é o espírito do beach tennis: agregar pessoas e promover saúde. Um esporte que faz bem pro corpo, pra mente e que te beneficia dentro e fora da quadra. Vai lá dar um play!

 

Texto e Fotos: Antonio Maria do Vale

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