Subir
Imagem alt

Suor e bem estar

DE LAGOA AZEDA AO GUNGA: Uma trip de 15k

POR Antonio Maria do Vale

 

5h da manhã, o despertador toca e você se dá conta que está chovendo. Uma trupe te espera para uma caminhada e você pensa: Vou ficar na cama. Que nada! Preguiça é para os fracos e às 5h30 todos já estavam a postos para subir no ônibus e partir em direção a Lagoa Azeda. O que nos esperava? 15km até a Praia do Gunga.

O início da jornada foi com chuva fina e horizonte com nuvens carregadas. Entretanto, a medida em que avançávamos, um céu limpo se aproximava e logo o sol deu o ar da graça. De cara, nos deparamos com as imensas falésias de até 40m de altura, que no início do trajeto ficam bem ao pé do mar. E como a maré estava secando, ainda sentimos água nos pés no vai e vem das ondas.

O colorido dos paredões chama atenção e as tonalidades variam entre o marrom, o bege, o laranja e o vermelho. Recifes de coral nos acompanham nos primeiros quilômetros, dando lugar logo adiante a uma extensa faixa de areia molhada, espelhando nossa caminhada até o segundo quilômetro, nosso primeiro ponto de parada.

O início foi devagar, momento para muitas fotos e admiração da natureza, que agora nos presenteia com um pequeno rio, de corrente apressada e profundidade rasa à altura do joelho. Hora de se refrescar e ganhar fôlego porque a brincadeira acaba por aqui. 15 minutos para alguns mergulhos e seguimos adiante.

Agora é apertar o passo, pois duro kms nos esperam. Olhamos no horizonte a curva distante que nos indica o final das falésias e início do coqueiral do Gunga, aquele era nosso próximo objetivo. E nesse trajeto, tempo para as boas conversas e novas amizades. Haja assunto, sem falar nos momentos em que o silêncio impera e o cérebro abre espaço para reflexões, o famoso “pensar na vida”.

Depois dos 8 km entra a fase de superação. Mesmo os mais preparados sentem um pouco e o terreno que vai ficando mais fofo só dificulta e aumenta o cansaço. Hora em que muitos abandonam o tênis e seguem caminho com pés na areia, que escaldantes, nos impulsionam a caminhar mais próximo da água.

Um “abre aspas” que não pode passar despercebido é a quantidade de lixo encontrada em todo o percurso. É surpreendente como uma área intocada pode ser tão afetada pela ação do homem a quilômetros de distância. Uma rápida olhada em algumas embalagens e descobrimos produtos das mais diversas nacionalidades, embora a grande maioria do lixo seja proveniente de Maceió, trazidos por correntes marinhas e despejados ao pé das falésias.

Chegamos a mais um ponto de parada, o penúltimo. Uma lagoa que se forma no final das falésias, desta vez de águas mansas, sem corrente e com argila no fundo. Se ela é terapêutica ou não, não se sabe. Entretanto, todos entram na brincadeira de maquiar-se com “lama milagrosa”, que te deixa mais bonito, com pele macia e jovial.

Partimos então para o último trecho, uns 3km de coqueirais e com o mar ficando mais tranquilo a medida que nos aproximamos da Praia do Gunga. Nunca uma distância tão pequena pareceu tão distante. Caminhávamos, caminhávamos, caminhávamos… E parecia que o destino ficava mais distante. Mas os bugres com turistas e os pescadores que passamos a encontrar era sinal de que o fim estava próximo.

Finalmente, o mergulho recompensador na Praia do Gunga! O sentimento de desafio vencido diante de um corpo cansado e feliz. Deixamos o sedentarismo 15km para trás. Ao final foram 25 mil passos de aventura e uma sensação de bem-estar sem igual. Pergunte se alguém se arrependeu e terá como resposta um sonoro “Nããããão!”. Todos querendo é saber qual a próxima trip, que lugares vamos desbravar, qual o próximo desafio?

Oquê achou dessa postagem?